Elmar Juan Passos Varjão Bomfim é um dos gestores do setor de infraestrutura que acompanham com proximidade uma questão que ganhou relevância crescente nos últimos anos: o relacionamento entre grandes projetos de engenharia e as comunidades que vivem nos territórios onde esses empreendimentos são implantados. Durante décadas, esse tema foi tratado como apêndice do licenciamento ambiental, uma exigência formal a ser cumprida com audiências públicas protocolares e programas sociais de vitrine. Esse modelo está se esgotando, e as obras que continuam apostando nele pagam um preço cada vez mais alto.
Paralisações motivadas por conflitos com populações locais já custaram bilhões ao setor de infraestrutura no Brasil e no mundo. Nota-se que conflitos socioambientais não resolvidos respondem por uma parcela significativa dos atrasos em projetos de grande porte, especialmente em setores como mineração, energia e rodovias. O problema raramente é a comunidade em si. É a forma como o projeto chega ao território, o que comunica, o que promete e o que efetivamente entrega.
O que os projetos ainda erram no primeiro contato com as comunidades?
Os erros mais graves no relacionamento com comunidades geralmente ocorrem antes de qualquer máquina ser mobilizada. O primeiro contato define expectativas, e expectativas mal calibradas se transformam em desconfiança, depois em resistência e, por fim, em litígios que paralisam obras já em andamento. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, com experiência em obras que atravessam territórios habitados e sensíveis, reconhece esse padrão como um dos mais recorrentes e evitáveis do setor.
Entre os equívocos mais frequentes, dois se destacam pela gravidade das consequências que produzem:
- Apresentar o projeto como algo já decidido, levando à comunidade apenas informações sobre o que será feito, sem abrir espaço genuíno para perguntas, preocupações ou contribuições locais.
- Tratar a participação comunitária como etapa burocrática, realizando audiências públicas protocolares que cumprem a forma legal, mas ignoram o conteúdo real das demandas apresentadas.
Populações que percebem que sua participação é decorativa tendem a buscar outros canais de influência, incluindo ações judiciais, mobilizações políticas e bloqueios físicos de acesso a canteiros. Reverter esse quadro depois que ele se instala é muito mais caro e demorado do que tê-lo evitado desde o início com uma abordagem de engajamento real.
Territórios indígenas, quilombolas e populações tradicionais: o desafio da consulta prévia
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim acompanha com atenção os desdobramentos da aplicação da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho no licenciamento de projetos de infraestrutura no Brasil. Essa convenção estabelece o direito de consulta prévia, livre e informada a povos indígenas e comunidades tradicionais antes de qualquer medida que possa afetá-los. Na prática, a interpretação e a operacionalização desse direito ainda são fonte de grande insegurança jurídica para desenvolvedores de projetos.

O processo de consulta prévia, quando conduzido de forma inadequada ou precipitada, pode resultar em liminares que suspendem obras em estágios avançados. Por outro lado, projetos que investem tempo e recursos para realizar esse processo com seriedade frequentemente encontram nas comunidades tradicionais parceiros valiosos para monitoramento ambiental, mão de obra local qualificada e conhecimento territorial que seria impossível obter por outros meios. A diferença entre um processo de consulta como obstáculo e como oportunidade está inteiramente na postura com que o empreendedor chega à mesa.
A importância do legado territorial
O conceito de legado territorial em projetos de infraestrutura vem ganhando espaço nas discussões estratégicas do setor de construção civil. Essa abordagem é acompanhada de perto pela liderança de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, diante do impacto de obras de grande porte. Empreendimentos dessa escala mobilizam recursos e capacidade produtiva suficientes para transformar a dinâmica regional, exigindo planejamento para que a modernização resulte em benefícios estruturais duradouros.
Projetos que investem em formação profissional da mão de obra local, que contratam fornecedores regionais sempre que tecnicamente viável, que deixam infraestrutura de uso coletivo ao término das obras e que mantêm canais de comunicação abertos com as comunidades durante toda a execução constroem um tipo de capital social que tem valor prático e mensurável. Esse capital reduz resistências, facilita renovações de licença, melhora o ambiente de negociação com poder público e cria condições para que projetos futuros na mesma região sejam viabilizados com muito menos atrito.
Infraestrutura que respeita territórios dura mais e custa menos
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim representa uma geração de gestores que entende a sustentabilidade social dos projetos não como uma obrigação ética descolada da lógica de negócios, mas como parte integrante da viabilidade econômica de longo prazo. Um projeto que conclui suas obras dentro do prazo, sem paralisações por conflitos comunitários, sem processos judiciais em andamento e com a licença social consolidada no território tem, objetivamente, um desempenho financeiro melhor do que um concorrente tecnicamente equivalente que ignorou essa dimensão.
O mercado de infraestrutura brasileiro está aprendendo, ainda que com alguma lentidão, que o custo de construir relacionamentos sólidos com comunidades é sempre menor do que o custo de reparar os danos causados por sua ausência. Gestores que incorporaram essa lógica à sua forma de planejar e executar projetos não apenas entregam melhores resultados individuais. Eles contribuem para elevar o padrão de toda a indústria, tornando o setor mais confiável, mais previsível e mais capaz de atrair os investimentos que o Brasil precisa para avançar em infraestrutura nas próximas décadas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez