Doença respiratória causada por herpesvírus felino tende a aparecer com mais força nos meses mais frios do ano; veja como identificar e prevenir.
Enquanto os tutores associam o inverno principalmente aos cuidados com cães, os gatos também sofrem impacto direto das baixas temperaturas. De acordo com Amanda Vaz, veterinária do Veros Hospital Veterinário, a principal preocupação entre os felinos nesta época do ano é a rinotraqueíte infecciosa felina, causada pelo herpesvírus felino. O ar mais seco, a redução da umidade e o costume de manter os gatos em ambientes fechados durante o frio favorecem a circulação do vírus, especialmente em lares com mais de um felino ou em ambientes com pouca ventilação. Reconhecer os sinais da doença e adotar medidas preventivas simples ajuda a proteger a saúde respiratória do gato ao longo de toda a estação.
O que é a rinotraqueíte felina e por que ela se agrava no frio
A rinotraqueíte infecciosa felina é uma doença respiratória altamente contagiosa entre gatos, transmitida principalmente pelo contato direto com secreções de animais infectados, mas também por objetos compartilhados, como comedouros e caixas de areia. O vírus se instala nas vias respiratórias superiores do felino e provoca inflamação que pode se espalhar rapidamente em ambientes com vários gatos, como abrigos, gatis e residências com múltiplos animais. O frio contribui para o agravamento porque o ar seco reduz a umidade das mucosas nasais, tornando-as mais suscetíveis à ação do vírus, além de estimular hábitos que aumentam a proximidade entre os animais dentro de casa.
Gatos com quadros respiratórios crônicos, como a asma felina, também merecem atenção redobrada nessa época. Segundo a especialista do Veros Hospital Veterinário, o ar frio e seco tende a agravar a irritação das vias aéreas nesses animais, aumentando a frequência de crises. A raça Persa, que possui focinho achatado e vias aéreas naturalmente mais estreitas, apresenta ainda maior dificuldade respiratória diante de qualquer infecção, o que torna a observação constante do comportamento desses gatos uma medida importante durante todo o inverno.
Sinais que indicam que o gato precisa de avaliação veterinária
Os gatos costumam disfarçar bem o desconforto, o que torna a atenção do tutor ainda mais importante durante o inverno. Entre os sintomas que indicam a necessidade de uma consulta estão espirros frequentes, secreção nasal ou ocular, tosse, respiração ofegante ou com ruído, apatia, redução do apetite e febre. Em felinos, complicações da rinotraqueíte podem incluir comprometimento ocular, já que o herpesvírus felino tem afinidade especial pelas mucosas oculares, motivo pelo qual qualquer alteração nos olhos do gato deve ser levada a sério.
Sem diagnóstico e acompanhamento adequados, a infecção respiratória pode evoluir para quadros mais graves, incluindo sinusite crônica e comprometimento permanente da visão em casos mais severos. A desidratação também é um risco associado, já que gatos doentes costumam reduzir a ingestão de água e alimento. Observar diariamente o comportamento do animal, incluindo apetite, disposição e frequência respiratória, ajuda o tutor a perceber mudanças sutis antes que o quadro se agrave e a buscar atendimento veterinário no momento certo.
Cuidados que ajudam a proteger o gato durante o inverno
Manter a vacinação felina em dia é uma das principais formas de reduzir o risco de rinotraqueíte, já que os imunizantes contra o herpesvírus fazem parte do protocolo básico de prevenção recomendado por médicos-veterinários. Evitar correntes de ar, garantir um ambiente aquecido e confortável para o descanso do gato e manter a casa limpa e ventilada também são medidas simples que reduzem a circulação de vírus dentro do lar, especialmente em residências com mais de um felino.
Gatos que já convivem com outros animais devem ter acesso a comedouros, bebedouros e caixas de areia individuais sempre que possível, já que objetos compartilhados são uma via comum de transmissão do vírus. Oferecer alimentação equilibrada, garantir hidratação constante e manter as consultas veterinárias periódicas em dia são hábitos que fortalecem o sistema imunológico do felino e ajudam a evitar complicações respiratórias ao longo de toda a estação mais fria do ano.
A rinotraqueíte felina é uma das doenças respiratórias mais comuns entre os gatos brasileiros durante o inverno, mas a maior parte dos casos tem boa evolução quando o tratamento começa cedo. Ficar atento aos sinais do comportamento felino e não adiar a visita ao veterinário diante de qualquer sintoma são atitudes essenciais para atravessar o período mais frio do ano com segurança. Cada gato reage de forma particular à doença, e apenas um médico-veterinário pode indicar a conduta adequada para cada caso.
Fontes consultadas:
Portal Pet News: https://www.portalpetnews.com.br/o-impacto-das-baixas-temperaturas-na-saude-respiratoria-de-caes-e-gatos/