Frio intenso e ambientes fechados favorecem infecções respiratórias em cães; veterinária explica sintomas e cuidados para o período.
Com a chegada do frio, hospitais veterinários registram aumento nos casos de doenças respiratórias em cães, fenômeno que se repete todos os anos nesta época. A queda da temperatura, o ar mais seco e o hábito de manter os animais em ambientes fechados criam condições propícias para a circulação de vírus e bactérias entre os pets. Segundo Amanda Vaz, veterinária do Veros Hospital Veterinário, a enfermidade mais comum entre os cães nesta estação é a traqueobronquite infecciosa canina, popularmente conhecida como gripe canina, causada principalmente pela bactéria Bordetella bronchiseptica e pelo vírus da parainfluenza canina. Entender como a doença se manifesta e o que fazer diante dos primeiros sinais ajuda o tutor a agir a tempo e evitar complicações, especialmente em filhotes e cães idosos.
Por que o inverno favorece as doenças respiratórias em cães
O frio por si só não causa a gripe canina, mas cria o ambiente ideal para sua disseminação. Com temperaturas mais baixas, os tutores tendem a manter os cães em locais fechados, com menor ventilação, o que facilita a circulação de agentes infecciosos entre os animais. Essa condição se agrava em espaços com muitos cães, como creches, hotéis e canis, onde o contato próximo entre os animais aumenta a velocidade de transmissão. A baixa umidade do ar também resseca as mucosas respiratórias, tornando-as mais vulneráveis à ação de vírus e bactérias.
Cães com condições respiratórias crônicas, como bronquite canina e colapso de traqueia, merecem atenção redobrada nesse período. Segundo a especialista do Veros Hospital Veterinário, o ar frio e seco tende a aumentar a irritação das vias aéreas e pode provocar crises mais intensas nesses animais. Raças braquicefálicas, que têm o focinho achatado e vias aéreas naturalmente mais estreitas, como Pug, Shih Tzu, Buldogue Francês e Boxer, também apresentam maior dificuldade respiratória quando expostas a quadros infecciosos, o que reforça a necessidade de observação constante por parte dos tutores nessas raças.
Quais sinais indicam que é hora de procurar um veterinário
Identificar os sintomas da gripe canina logo no início é fundamental para evitar que o quadro evolua para problemas mais graves. Entre os sinais que merecem atenção estão tosse persistente, espirros frequentes, secreção nasal ou ocular, respiração acelerada ou com ruídos, cansaço fora do comum, perda de apetite, febre e queda na disposição para brincar e passear. A presença de mais de um desses sintomas ao mesmo tempo é um indicativo de que o cão deve ser levado para avaliação o quanto antes, já que o diagnóstico precoce reduz o risco de complicações.
Sem acompanhamento adequado, algumas infecções respiratórias podem evoluir para quadros mais sérios, como bronquite crônica, sinusite e, em casos mais graves, insuficiência respiratória. A observação diária do comportamento do cão é uma ferramenta simples e eficaz para perceber mudanças sutis antes que o quadro se agrave. Vale destacar também que a desidratação pode surgir como consequência da redução no consumo de água e alimento durante o período em que o animal está doente, o que reforça a importância de garantir acesso fácil à água fresca mesmo quando o cão está com pouco apetite.
Como reduzir o risco de gripe canina neste inverno
A prevenção continua sendo o caminho mais eficaz para proteger os cães durante os meses mais frios. Manter a vacinação em dia é uma das medidas mais importantes, já que parte da proteção contra a traqueobronquite infecciosa depende de imunizantes específicos aplicados pelo médico-veterinário. Evitar a exposição prolongada ao frio e a correntes de ar, garantir locais aquecidos e confortáveis para descanso e manter os ambientes limpos e bem ventilados também contribuem diretamente para reduzir a circulação de agentes infecciosos.
Outras medidas simples fazem diferença no dia a dia, como evitar o contato do cão com animais que já apresentem sintomas respiratórios e oferecer alimentação equilibrada, que ajuda a manter o sistema imunológico fortalecido durante a estação mais fria. Tutores de cães idosos, filhotes ou com histórico de problemas respiratórios devem redobrar a atenção e considerar consultas veterinárias mais frequentes ao longo do inverno, já que esses grupos têm maior probabilidade de desenvolver complicações caso a doença não seja tratada a tempo.
O inverno é, historicamente, o período em que veterinários mais atendem cães com sintomas respiratórios, mas a maioria dos casos tem boa evolução quando identificados cedo. Ficar atento aos sinais do corpo, manter a rotina de cuidados preventivos e não hesitar em procurar um profissional diante de qualquer mudança de comportamento são atitudes que fazem toda a diferença para a saúde do pet nesta estação. Cada cão reage de forma diferente ao frio, e só um médico-veterinário pode avaliar corretamente o quadro clínico e indicar a conduta adequada para cada caso.
Fontes consultadas:
Portal Pet News: https://www.portalpetnews.com.br/o-impacto-das-baixas-temperaturas-na-saude-respiratoria-de-caes-e-gatos/