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O erro mais frequente ao acolher uma mulher em situação de vulnerabilidade é considerá-lo um ato isolado, observa Taiza Tosatt Eleoterio

Beatrice Delvani
Beatrice Delvani 2 de agosto de 2023 5 Min de leitura
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Taiza Tosatt Eleoterio
Taiza Tosatt Eleoterio
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A psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio, com atuação voltada ao apoio a mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade social, observa que, quando uma comunidade se mobiliza para acolher uma mulher em situação de vulnerabilidade, o erro mais comum é tratar esse acolhimento como um gesto pontual: uma doação, uma visita, uma ajuda naquele momento específico de crise. A mobilização inicial costuma ser generosa e sincera, mas raramente pensada para durar além das primeiras semanas seguintes à crise mais aguda.

Contents
O erro comum: acolhimento como gesto únicoCuriosidade disfarçada de cuidado também é um erro frequenteO que realmente sustenta um acolhimento comunitário eficaz?Como corrigir esse padrão?

Esse tipo de gesto isolado, embora bem-intencionado, raramente sustenta uma mudança real na vida de quem o recebe, já que a reconstrução de uma trajetória de vida exige tempo muito maior do que qualquer campanha de solidariedade costuma durar.

O erro comum: acolhimento como gesto único

Uma cesta básica, uma doação de roupas, uma visita de solidariedade logo após um episódio de crise: tudo isso ajuda de fato no momento, mas costuma se esgotar rapidamente, deixando a mulher novamente sozinha assim que o interesse inicial da comunidade diminui e a rotina de todos volta ao normal.

Entendemos, portanto, que vulnerabilidade não se resolve num único gesto, por mais generoso e sincero que seja. Ela costuma exigir presença sustentada ao longo do tempo, o que é mais difícil de manter do que qualquer ação pontual, mas também é o que realmente faz diferença na trajetória dessa mulher, sobretudo nos meses seguintes ao momento mais crítico da crise.

Curiosidade disfarçada de cuidado também é um erro frequente

Taiza Tosatt Eleoterio destaca outro erro recorrente e igualmente prejudicial: perguntas excessivas sobre os detalhes da situação, muitas vezes movidas mais por curiosidade do que por real interesse em ajudar de forma prática. Esse tipo de abordagem pode fazer a mulher se sentir exposta, como se sua dor fosse assunto de conversa alheia em vez de uma experiência a ser respeitada.

Acolher não significa saber tudo sobre a história de alguém, nem ter acesso a cada detalhe do que ela viveu e como viveu. Significa oferecer presença e recursos concretos sem exigir, em troca, o relato completo do sofrimento vivido.

O que realmente sustenta um acolhimento comunitário eficaz?

Continuidade costuma importar mais do que intensidade. Uma comunidade que mantém contato discreto ao longo de meses, sem cobrar atualizações constantes sobre a situação, tende a ser mais útil do que uma mobilização intensa que se dissolve depois da primeira semana de comoção, quando a atenção coletiva já se voltou para outra coisa.

Taiza Tosatt Eleoterio pondera que o acolhimento mais eficaz costuma ser aquele que se adapta ao ritmo real da mulher, e não ao ritmo da comunidade: ela decide quando quer conversar, quando prefere apenas receber ajuda prática, e quando simplesmente precisa de espaço sem ninguém perguntando como ela está.

Como corrigir esse padrão?

Substituir gestos pontuais por acompanhamento constante e verdadeiro, mesmo que discreto, é o primeiro passo. Isso pode significar uma visita mensal, um contato regular por mensagem, ou simplesmente disponibilidade sem cobrança quando a mulher precisar, sem esperar nada em troca desse compromisso contínuo.

O segundo passo é resistir ao impulso constante de perguntar detalhes que não foram oferecidos espontaneamente pela própria mulher. Respeitar o ritmo de quem está sendo acolhida, em vez de satisfazer a própria curiosidade, é o que transforma um gesto de caridade pontual numa rede de apoio de verdade e duradoura.

Para Taiza Tosatt Eleoterio, corrigir esses erros comuns e recorrentes não exige recursos adicionais, apenas uma mudança de postura: menos protagonismo de quem ajuda e mais espaço para quem está sendo ajudada seguir seu próprio ritmo de recuperação, no tempo que fizer sentido para ela.

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