Ave usa as penas para se camuflar em meios às árvores, mas nesta quarta-feira (17) foi vista em um pilar, completamente à vontade. Espécie não apresenta nenhum tipo de risco. Aparição de urutau foi flagrada nesta quarta-feira (17), no Parque do Povo, em Presidente Prudente
Ele parece uma estátua de tão imóvel que fica e, além disso, sua plumagem é um prato cheio para se camuflar. Você já sabe quem é? É o urutau.
Em Presidente Prudente (SP), sua aparição pode ser bastante comum, principalmente, nas árvores do Parque do Povo. Inclusive, um registro da ave foi feito no local nesta quarta-feira (17) pelo repórter cinematográfico Sandro Bittencourt, da TV Fronteira. O urutau foi visto em um palanque, lugar onde ele também costuma aparecer quando se sente à vontade e seguro (assista ao vídeo acima).
Ao G1, o biólogo André Gonçalves Vieira disse que sua distribuição é comum na região de Presidente Prudente.
“Na maioria das vezes, ele passa despercebido por conta de seu mimetismo, que é a arte de se camuflar, mas devem existir de duas a três aves no Parque do Povo”, falou.
O cantinho preferido dos urutaus está nas árvores, no entanto, a espécie, quando se sente à vontade e segura, pode ser vista em palanques, pilares e troncos.
“Quando ele é visto em palanques, por exemplo, é porque as cores desse local são parecidas com as dele, o que faz como que ele se sinta à vontade e seguro. Os urutaus não apresentam nenhum tipo de risco, mas é importante que as pessoas, quando os virem, não mexam com eles”, acrescentou o biólogo ao G1.
Aparição de urutau foi flagrada nesta quarta-feira (17), no Parque do Povo, em Presidente Prudente
Reprodução
Vieira ainda explicou sobre um mito que ronda a espécie.
“Muitas pessoas acreditam que o canto desse pássaro é sinal de mau agouro, mas isso é um mito. Quando o urutau canta, não significa que algo de ruim vai acontecer, isso pode ser apenas um sinal de que o bicho quer se acasalar. Esse som, em uma mata, por exemplo, é capaz de silenciar todos os outros bichos para que a ave encontre uma fêmea e se reproduza”, ressaltou ao G1.
Bico para o céu
O nome urutau tem origem guarani. Vem da junção de guyra (ave) + tau (fantasma). Isso é graças à sua capacidade de se transformar em prolongamentos de galhos, de tão perfeito que é o seu disfarce. O nome científico é Nyctibius griseus.
Sua distribuição é por todas as regiões do Brasil e, desde a Costa Rica, até o Uruguai. O habitat natural contempla áreas de cerrado, orla da mata e campo, de preferência com palmeiras e árvores. Os urutaus se alimentam de invertebrados, preferencialmente, os insetos, que são apanhados pela espécie em pleno voo.
Na reprodução do urutau, em geral, o ovo é posto em cavidades naturais, como as de um tronco de árvore. Por 33 dias, o casal cuida de chocá-lo em conjunto. O filhote nasce com plumagem branca e é alimentado pelos pais por 51 dias.
De hábitos noturnos, o urutau também é conhecido como mãe-da-lua. Hábil ao extremo, captura as suas presas durante voos exatos, onde dribla as árvores no meio da floresta densa.
Durante o dia, dizem, parece uma estátua, de tão imóvel que fica. Aliás, sua plumagem (que tanto pode ir do cinza ao marrom, com o peito com um desenho negro) é um prato cheio para se camuflar.
Sob essa mesma “armadura” de penas ela, também costuma aconchegar seus filhotes.
A espécie Nyctibius griseus é a mais comum entre as cinco existentes no Brasil. Um macho adulto pesa entre 160 e 190 gramas e chega a alcançar 37 centímetros de comprimento, por outros 85 de envergadura.
Quando relaxa, o urutau abaixa a cabeça. Mas basta aparecer um perigo para voltar à posição original: estica-se todo, apontando o bico para o céu. Outro destaque são seus olhos, semelhantes aos de uma coruja (aliás, vive sendo confundido com esta espécie).
Mas, neste quesito, tem ainda uma capacidade única entre todas as aves: consegue ver de olhos fechados. Ou melhor: tem duas incisões no meio da pálpebra, que funcionam como uma fresta. E usa-a na maior parte do dia.
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