Recomendação do especialista é para que a população não alimente os macacos, pois podem ocorrer acidentes. Prefeitura tem projeto para isolar o local com alambrado. População alimenta bugio, mas ação não é recomendada e pode causar acidentes
A presença de bugios (Alouatta sp), do gênero Alouatta, que faz parte de uma família de primatas que está ameaçada no Estado de São Paulo, em uma área verde de Presidente Venceslau (SP), tem atraído pessoas “curiosas” ao local.
Muitas delas levam alimentos para os primatas, contudo, essa interação entre os seres humanos e os animais silvestres não é recomendada e pode ocasionar acidentes, conforme alertou ao G1 o biólogo Helder Telles Stapait.
Bugio, espécie de primata vulnerável no Estado de São Paulo, tem frequentes visualizações em Presidente Venceslau
Bugios são vistos com frequência em área verde em Presidente Venceslau
Sabrina Paulino Soriano Estrella de Oliveira
O local virou um ponto de interesse das pessoas e os bugios, por sua vez, observam que a condição tem ficado “favorável”, então eles descem os galhos das árvores, pegam a comida e vão embora, conforme contou ao G1 Stapait, que é especialista em gestão ambiental, professor e fotógrafo de natureza.
“Isso está errado! Quanto mais interação com esses animais, mais dependentes das pessoas eles serão. Isso vai fazer com que eles não se limitem àquele fragmento de mata e pode ser que passem a invadir as casas, podendo causar alguns acidentes”, ressaltou.
Pessoas se ‘aglomeram’ perto de clube social para ver o bugio e lhe dar alimento, o que não é recomendado
Cleiri Bachega de Carvalho/Cedida
O biólogo explicou que muitas pessoas passeiam por ali, inclusive famílias com crianças.
“Algumas vezes, essas crianças podem estar carregando algum alimento e os macacos, já familiarizados com as pessoas e muito provavelmente com fome, podem descer pelos galhos e atacar as crianças que estão carregando comida”, explicou.
“Esses macacos podem partir agressivamente nas pessoas, podem morder, podem bater, ou aplicar um outro mecanismo de defesa que eles têm, que é jogar fezes ou urinar nas pessoas”, acrescentou o biólogo.
Em caso de mordida, é perigoso levar alguma infecção à pessoa. Mas a situação pode ainda ser até mais grave.
“Os macacos são animais extremamente fortes. Se morderem o dedinho de uma criança, podem até arrancá-lo. Isso são acidentes diretos com os animais. O que também pode acontecer, em uma situação de susto, alguma pessoa, criança pular para a rua e, devido ao movimento de carro, essa pessoa pode ser atropelada, então tem que tomar muito cuidado com isso”, comentou Stapait ao G1.
Desta forma, o biólogo reforçou que “é importante esses animais não estarem acostumados com as pessoas”.
“Eles devem retornar para os fragmentos para sobreviverem com os recursos que eles têm lá e não se acostumarem com as pessoas, porque daqui a pouco eles vão descer dos galhos, vão atravessar as ruas, eles podem ser atropelados, tendo em vista que são animais ameaçados de extinção também, podem causar acidentes de trânsito, podem entrar nas casas, ali tem muitas casas do outro lado da rua, podem causar acidentes domésticos, então não pode haver interação dos animais com essas pessoas”, frisou ao G1.
Não interaja!
Conforme já ressaltou o biólogo, a recomendação “é não interagir” com animais silvestres.
Pessoas se ‘aglomeram’ perto de clube social para ver o bugio e lhe dar alimento, o que não é recomendado
Cleiri Bachega de Carvalho/Cedida
O especialista ainda colocou que seria interessante a instalação de uma placa indicando que há animais silvestres naquela área e até mesmo uma sinalização de redução de velocidade de circulação de veículos no local.
“Posteriormente, [também é interessante] fazer um trabalho de manejo desses animais para induzi-los a sair daquela borda e retornarem mata a dentro. E uma medida a médio longo prazo seria um reflorestamento com árvores frutíferas para trazer os recursos necessários para essa espécie e muitas outras”, destacou Stapait.
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O biólogo já havia conversado com o G1 sobre a ocorrência de animais silvestres no perímetro urbano de Presidente Venceslau, que vem aumentando “junto com a atividade da construção civil, que precisou fazer a supressão de algumas áreas”.
Stapait lembrou que o setor está fazendo sua compensação ambiental, “mas o tempo que essa compensação leva para estar adequada para esses animais é muito longo, então fica totalmente desproporcional para que esses animais consigam utilizar dessa compensação para sobreviver”.
Animais são frequentemente vistos na área verde entre a penitenciária e o clube social
Google Earth/Reprodução
Prefeitura
A Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente (Seaama) de Presidente Venceslau adiantou ao G1 que há um projeto para cercar com alambrado a área onde aparecem os bugios.
Bugios são vistos com frequência em área verde em Presidente Venceslau
Sabrina Paulino Soriano Estrella de Oliveira
Em nota ao G1, o engenheiro ambiental Moacir Feba Tetila, o engenheiro florestal Luiz Arthur Gagg e a secretária municipal de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente, Flavia de Paula Assis Campos, que também é engenheira ambiental, afirmaram que a Prefeitura pretende realizar a implantação de placas de sinalização e alerta nas áreas em que os animais apareceram.
Nos locais próximos a ruas e avenidas, serão pintadas faixas de travessia indicando a passagem de animais e para os motoristas desacelerarem.
Também será realizada, por meio de redes sociais e veículos de informação, a orientação da população apontando as medidas que devem ser adotadas caso estes animais apareçam.
Nas escolas das redes estadual e municipal de ensino, irão ocorrer palestras de educação ambiental sobre a preservação de animais silvestres nas áreas urbana e rural do município.
Além disso, segundo a nota oficial enviada pela Prefeitura de Presidente Venceslau ao G1, pretende-se montar um projeto para obtenção de verba e construção de alambrado no entorno da área da Avenida Antônio Marques da Silva, para promover maior isolamento da região, visto que lá já foram encontrados estes animais.
“Acredita-se que, com a instalação do alambrado junto com as placas, os animais que frequentam a área serão preservados”, concluiu o Poder Executivo ao G1.
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