Dinamarca, Holanda, Espanha, Suécia, Itália e Estados Unidos relataram casos de Sars-Cov-2 nos animais. Visons são vistos em gaiolas em fazenda em Næstved, no centro-oeste da Dinamarca, nesta sexta-feira (6).
Mads Claus Rasmussen / Ritzau Scanpix / AFP
Seis países, incluindo Dinamarca e Estados Unidos, relataram até o momento casos de Covid-19 em criações de visons, informou neste sábado (7) a Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Até o momento, seis países, a saber, Dinamarca, Holanda, Espanha, Suécia, Itália e Estados Unidos relataram casos de Sars-CoV-2 em criações de visons à Organização Mundial de Saúde Animal”, disse a OMS em um comunicado.
O anúncio foi feito após a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, anunciar na quarta-feira (4) o sacrifício de 17 milhões de visons do país.
Covid-19: Dinamarca vai sacrificar 17 milhões de visons
O motivo é que foi identificada uma mutação do Sars-Cov-2 nestes animais, que acabaram infectando 12 pessoas. A ideia é interromper o ciclo de infecção desta mutação e garantir a segurança de uma futura vacina contra a doença.
Essa mutação foi identificada em cinco fazendas diferentes. Os 12 casos de transmissão em humanos do vírus que sofreu mutação foram detectados no norte de Jutlândia (oeste), onde se concentra a maioria dos criadouros.
“Os casos ocorreram entre pessoas com entre 7 e 79 anos, oito delas relacionadas com a indústria agrícola de vison e quatro da comunidade local”, informou a OMS.
Mutação em vírus
A mutação de um vírus é normal, e uma mutação não significa que se comportará de forma diferente, afirmam cientistas. Além disso, determinar as consequências concretas de uma mutação é complexo.
Mas no caso dessa cepa, chamada de “Cluster 5”, isso implica, segundo os primeiros estudos, uma menor eficiência dos anticorpos humanos, o que ameaça o desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19.
“As observações iniciais sugerem que a apresentação clínica, a gravidade e a transmissão dos indivíduos infectados são semelhantes às de outros vírus circulantes do Sars-CoV-2”, observou a OMS.
“No entanto, esta variante, denominada variante +cluster 5+, apresenta uma combinação de mutações ou alterações que não tinham sido observadas antes”, acrescentou a agência especializada da ONU, destacando que “as implicações das alterações identificadas nesta variante ainda não são totalmente compreendidas”.
Os resultados preliminares, observou a OMS, indicam que esta variante associada ao vison, identificada tanto nos visons quanto nos 12 casos humanos, apresenta “sensibilidade moderadamente reduzida a anticorpos neutralizantes”.
Neste contexto, a OMS apelou à realização de novos estudos científicos e laboratoriais para verificar estes resultados e determinar quais as consequências para o desenvolvimento de tratamentos e vacinas.
“Embora se acredite que o vírus esteja ancestralmente ligado aos morcegos, a origem do vírus e o(s) hospedeiro(s) intermediário(s) do Sars-CoV-2 ainda não foram identificados”, lembrou a OMS.
Origem do vírus
Uma missão internacional, composta por especialistas internacionais da OMS, da Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas e da Organização Mundial para a Saúde Animal, foi criada em colaboração com Pequim para determinar a origem do vírus.
Em 30 de outubro, esses especialistas se encontraram pela primeira vez com seus colegas chineses, mas virtualmente.
“Dada a escala e complexidade da pandemia de Covid-19, precisamos de um conjunto completo de investigações científicas na China e em outros lugares para encontrar o (s) hospedeiro (s) intermediário (s) e as origens do vírus”, disse essa semana à AFP uma porta-voz da OMS, Farah Dakhlallah.

Artigo anteriorOnça-pintada morta, raios e fogo 'subterrâneo': os incêndios que ainda ameaçam o Pantanal
Próximo artigoHomem é multado pela Polícia Ambiental em R$ 3 mil por maus-tratos a cavalo em Rosana