A volatilidade cambial é um fator crucial na alocação de ativos, e o advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel considera a distribuição do patrimônio entre Brasil e exterior como uma questão de exposição, não de preferência. Cada família determina em qual moeda deseja avaliar sua riqueza, mesmo que não tenha consciência dessa decisão.
Manter tudo dentro de um país é uma escolha ativa, com consequências definidas. Manter parte fora também é, com outro conjunto de consequências e outra ordem de custo. A diferença está em saber qual delas foi assumida de propósito e qual foi herdada da inércia, porque a segunda hipótese costuma aparecer justamente no pior momento.
A moeda em que o patrimônio está medido
Um imóvel avaliado em três milhões de reais vale algo muito diferente para quem planeja gastar em real e para quem tem compromissos em euro, distinção que Rodrigo Pimentel problematiza ao tratar da leitura puramente contábil do patrimônio. O número na escritura permanece igual, ao passo que o poder de compra que ele representa oscila conforme a moeda de referência da família.
O balanço registra valor nominal e não mede exposição, razão pela qual duas famílias com o mesmo total declarado podem ter graus de vulnerabilidade completamente distintos. A composição pesa mais do que a soma, a depender de onde vivem os herdeiros e de onde vêm as receitas da empresa.
Custo de proteção diante do custo da exposição cambial
Sideni Soncini Pimentel, advogado e desembargador aposentado, pondera que nenhuma estrutura jurídica é gratuita, e a comparação correta nunca é entre proteger e não gastar. Estrutura internacional cobra manutenção, contabilidade e acompanhamento, valores que precisam ser medidos contra o prejuízo potencial de uma exposição concentrada. A comparação útil coloca o custo anual da estrutura de um lado e o tamanho da perda que ela evita do outro.

Uma reserva externa de porte pequeno costuma não justificar a complexidade que exige, questão que o Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel registra ao dimensionar o ponto de equilíbrio caso a caso. Acima de certo volume, o custo fixo se dilui e a proteção passa a valer o trabalho que impõe.
Decisão de alocação não é decisão de investimento
Investir busca retorno em prazo definido, enquanto alocar patrimônio busca permanência. Famílias que misturam os dois raciocínios terminam com carteira agressiva justamente onde deveria existir reserva estrutural, e o erro só aparece quando a reserva precisa ser usada. A pressa por desempenho contamina a parcela que existia para não oscilar.
A parcela internacional de um patrimônio familiar cumpre função de estabilidade, de modo que rendimento modesto em moeda forte pode ser o resultado desejado, e Rodrigo Pimentel discorre sobre o tema junto a empresários que estranham o retorno baixo. Cobrar dessa parcela o desempenho de um investimento de risco significa desmontar a proteção que motivou a estrutura.
O que a família precisa responder antes de decidir?
Três perguntas antecedem qualquer desenho, e Rodrigo Gonçalves Pimentel delineia todas antes de propor instrumento. Em que moeda a família terá despesas nos próximos quinze anos, onde estarão os herdeiros quando a sucessão ocorrer e qual parcela do patrimônio pode ficar imobilizada sem prejudicar a operação da empresa.
Convidamos você a aprofundar o tema da exposição cambial antes de definir onde o patrimônio vai repousar nas próximas décadas, porque a resposta muda conforme a família, o setor e o desenho societário já existente. Nenhum modelo pronto substitui o diagnóstico do caso concreto.
Sobre os especialistas
Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado, empresário e sócio do Pimentel & Mochi Advogados Associados. Sua atuação envolve questões empresariais, patrimoniais, societárias e sucessórias relacionadas a empresários e famílias empresárias.
Sideni Soncini Pimentel é advogado, desembargador aposentado e integrante do Pimentel & Mochi Advogados Associados. Após uma trajetória de mais de quatro décadas na magistratura, iniciou uma nova fase profissional na advocacia, com atuação consultiva e estratégica.