Avaliar uma empresa apenas pelo volume de receita ou pela margem de lucro tem se mostrado insuficiente para captar o real potencial competitivo de um negócio. A criação de valor empresarial passou a incorporar fatores como inovação, reputação, governança e capacidade de sustentar resultados ao longo do tempo. Márcio Alaor de Araújo, como executivo do mercado financeiro, tem acompanhado essa transição em diferentes setores da economia brasileira. Investidores, parceiros e clientes têm ampliado os critérios pelos quais julgam a solidez de um negócio, e essa mudança de perspectiva altera diretamente a forma como as organizações planejam seu crescimento.
A seguir, entenda quais fatores têm sustentado essa nova leitura sobre o valor real das empresas.
O que mudou na forma de avaliar as empresas?
Durante décadas, indicadores financeiros tradicionais, como faturamento e lucratividade, funcionaram como principais referências para medir o sucesso de um negócio. Esses números continuam relevantes, mas deixaram de contar toda a história sobre a saúde real de uma organização.
Nesse sentido, fatores como capacidade de inovação, qualidade da governança e solidez das relações institucionais passaram a compor uma leitura mais ampla sobre o potencial de uma empresa. Segundo Márcio Alaor de Araújo, essa mudança reflete um mercado mais atento à sustentabilidade dos resultados, e não apenas ao desempenho pontual de um determinado período.
Analistas de mercado e fundos de investimento têm incorporado esses fatores em modelos de avaliação progressivamente mais sofisticados, o que exige das empresas maior transparência sobre práticas internas que antes permaneciam restritas a relatórios operacionais.
Por que ativos intangíveis ganharam peso na avaliação empresarial?
Marca, reputação, cultura organizacional e capacidade de retenção de talentos são exemplos de ativos intangíveis que, embora difíceis de mensurar diretamente, influenciam de forma significativa o valor percebido de uma empresa. Conforme detalha Márcio Alaor de Araújo, esses fatores costumam determinar a capacidade de uma organização de atravessar crises e manter relevância competitiva no médio prazo, mesmo quando indicadores financeiros de curto prazo apresentam oscilações.
Empresas que investem na construção desses ativos tendem a apresentar maior resiliência diante de oscilações de mercado, já que sua base de valor não depende exclusivamente de resultados financeiros de curto prazo. Para Márcio Alaor de Araújo, essa resiliência costuma se tornar mais evidente justamente nos períodos de maior instabilidade econômica, quando organizações com base de valor mais sólida conseguem preservar a confiança de investidores e parceiros.

Setores intensivos em conhecimento e inovação costumam ilustrar esse fenômeno com clareza, já que boa parte do valor percebido dessas empresas está associada a capital humano e propriedade intelectual, elementos que raramente aparecem de forma explícita em balanços contábeis tradicionais.
Investidores priorizam governança e transparência na avaliação de oportunidades
Investidores e fundos de private equity têm ampliado os critérios de análise ao avaliar oportunidades de aporte, incorporando fatores como práticas de governança, transparência na comunicação e solidez das relações com stakeholders. Essa ampliação de critérios reflete um entendimento mais maduro sobre os fatores que sustentam a perenidade de um negócio.
Por este prospecto, as organizações que demonstram consistência nesses aspectos tendem a atrair capital em condições mais favoráveis, já que transmitem menor percepção de risco para quem avalia possibilidades de investimento.
Tal movimento também altera a forma como negociações de fusão e aquisição são conduzidas, já que a due diligence passou a considerar, além dos números contábeis, a qualidade da governança e a solidez das relações institucionais construídas ao longo do tempo.
Empresas que ignoram a nova realidade correm risco de perder espaço para concorrentes mais adaptáveis
Empresas que buscam se posicionar de acordo com essa nova lógica de avaliação precisam integrar a criação de valor à sua estratégia central, e não tratá-la como iniciativa isolada de comunicação institucional, o que envolve decisões estruturais sobre governança, cultura organizacional e relacionamento com diferentes públicos de interesse, aspectos que costumam exigir revisão de processos internos consolidados há anos.
Márcio Alaor de Araújo avalia que essa integração tende a se tornar um diferencial competitivo progressivamente mais determinante, à medida que investidores e parceiros aprofundam sua análise sobre a solidez real dos negócios em que decidem se envolver. Empresas que ainda tratam esses fatores como secundários correm o risco de perder competitividade justamente diante de organizações mais preparadas para essa nova realidade de mercado, nas quais a percepção de valor já não se resume a números de curto prazo.